José Rico deixou castelo inacabado e destino do imóvel segue em aberto; Veja as fotos

Construção idealizada pelo sertanejo atravessou décadas de obras, enfrentou invasões e entrou nos planos de preservação cultural da Prefeitura de Limeira
O castelo de José Rico, em Limeira, no interior de São Paulo, guarda um sonho que o cantor não conseguiu concluir. O artista, que foi homenageado pela dupla César Menotti e Fabiano, deixou uma construção com mais de 100 cômodos, marcada por abandono, dívidas e tentativas frustradas de venda.
José Rico, consagrado na dupla com Milionário, acompanhou durante cerca de 24 anos as obras da propriedade. O projeto reunia planos para a família e para a carreira musical, com espaços que deveriam receber convidados, gravações e atividades ligadas ao trabalho dos sertanejos.
Considerado um dos maiores nomes da música sertaneja, o artista morreu em 3 de março de 2015, aos 68 anos. Onze anos depois, a construção permanece associada à memória do cantor e à discussão sobre como preservar um patrimônio de grandes dimensões.
Castelo de José Rico tinha piscina em formato de viola
Torres, escadarias, corredores e salões ajudam a dimensionar a ambição do projeto. Entre os detalhes mais conhecidos está a piscina em formato de viola, referência ao universo musical que marcou a trajetória do proprietário.
O imóvel foi pensado para abrigar mais do que uma residência. Os planos incluíam estúdio, gravadora, espaços de hospedagem e uma loja de produtos da dupla Milionário e José Rico, além de áreas de convivência e lazer.
A propriedade rural tem aproximadamente 48 mil metros quadrados. Esse número corresponde ao terreno e não deve ser confundido com a área construída ou com o trecho considerado pela prefeitura para uma eventual desapropriação.
Invasões e dívidas agravaram a situação do imóvel

Reportagens sobre o interior do castelo registraram ambientes deteriorados, materiais de construção e objetos deixados após a interrupção das obras. Familiares também relataram invasões e a retirada de roupas, discos, equipamentos de som e peças da estrutura.
À dificuldade de proteger e manter o espaço somaram-se pendências judiciais envolvendo o espólio. O imóvel foi alvo de penhoras e tentativas de leilão relacionadas ao pagamento de dívidas trabalhistas, sem que as iniciativas resultassem na venda da propriedade.
Sem uma destinação definida, a construção passou a concentrar problemas de conservação. O tamanho do complexo e a necessidade de recuperação acrescentam desafios a qualquer proposta de utilização.
Prefeitura de Limeira estuda museu da música sertaneja
Em maio de 2026, a Prefeitura de Limeira publicou um decreto de utilidade pública que abriu caminho para estudos sobre uma possível desapropriação. A proposta anunciada é avaliar a transformação do complexo em um polo dedicado à história da música sertaneja.
A medida não significa que o município já tenha adquirido o castelo. Segundo a administração municipal, a continuidade do processo depende de análises técnicas, jurídicas e econômicas que indiquem a viabilidade da iniciativa.
A prefeitura informou que pretende buscar recursos estaduais, federais e privados para viabilizar o projeto, sem utilizar recursos municipais na transformação do espaço. A proposta, portanto, não equivale à confirmação de um museu pronto ou de abertura imediata à visitação.
O eventual aproveitamento cultural permitiria reunir a memória do cantor sertanejo e a trajetória da dupla em um espaço físico. Antes disso, será necessário definir as condições para preservar a construção e executar qualquer intervenção.
Para José Rico, o castelo representava um projeto pessoal ligado à família e à música. Hoje, seu futuro depende de decisões que poderão transformar a obra inacabada em um lugar de preservação dessa história.
















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