Paula Fernandes quer viver uma vilã sem ser careta
Paula Fernandes como vilã é o próximo papel que a cantora quer na televisão, depois de viver a mãe da protagonista em Coração Acelerado
Duas passagens por novela e nenhuma personagem ruim. Paula Fernandes como vilã é o desejo que a cantora resolveu declarar em voz alta.
Ela viveu Cecília nos primeiros capítulos de Coração Acelerado, a mãe da protagonista Agrado, papel de Isadora Cruz na trama. Ver Paula Fernandes como vilã seria a virada completa em relação ao que ela já entregou.
A frase que resume o pedido foi curta e bem-humorada. “Já fiz boazinhas. Quero fazer uma má, uma vilã. Sem ser careta”, disse a artista.
O que ela fez na novela
A participação em Coração Acelerado ficou concentrada no começo da trama. Cecília é mãe da protagonista, e a cantora apareceu nos capítulos iniciais.
Não foi a estreia dela na dramaturgia. Em 2018 ela já havia interpretado a princesa Beatriz em Deus Salve o Rei, novela de época exibida no horário das seis.
Entre uma produção e outra passaram-se oito anos. No intervalo, ela seguiu concentrada na música e recusou o rótulo de cantora que virou atriz.
Os dois papéis têm o mesmo denominador: personagens do lado certo da história. É exatamente o que ela quer romper agora.
Nenhuma das duas exigiu que a cantora sustentasse conflito em cena. Foram personagens de apoio, escritas para acompanhar a trama e não para movê-la.
Por que a novela caiu bem para a cantora

A trama de Coração Acelerado gira em torno do universo sertanejo, terreno que a artista conhece por dentro. Segundo ela, isso tornou a experiência mais confortável do que seria em qualquer outro enredo.
Contracenar em cenário de show e bastidor de dupla dispensa pesquisa. A cantora chegou ao set sabendo como aquele mundo funciona de verdade.
Aos 41 anos, ela avaliou a passagem pela televisão como positiva e disse seguir aberta a novas oportunidades. Não há projeto concreto anunciado.
Cantor que vira ator costuma ser escalado em papel próximo de si mesmo. Pedir vilania é justamente recusar esse atalho.
A ressalva do “sem ser careta” diz muito sobre o tipo de personagem que ela imagina, longe da vilã caricata que a televisão brasileira consagrou.
Vilã moderna costuma ter razão parcial e motivação compreensível. É um lugar mais difícil de interpretar do que a mocinha que ela já fez duas vezes.
A carreira que corre em duas frentes
O interesse pela dramaturgia chega num momento cheio na música. A cantora acaba de lançar o audiovisual que marca as três décadas de estrada.
São duas carreiras que exigem calendário inteiro. Encaixar uma na outra virou a principal restrição prática do plano dela.
Conciliar novela e turnê não é trivial. Gravação diária de dramaturgia é incompatível com agenda de shows em fim de semana, o que costuma limitar artista musical a participações curtas.
Foi o que aconteceu nas duas experiências dela até aqui. Papel de vilã, porém, raramente cabe em participação especial de poucos capítulos.
A própria artista comentou a passagem pela trama com os seguidores ao falar dos planos para os próximos meses.
Quem acompanha a novela e seu elenco viu a cantora sair de cena cedo, sem que a personagem rendesse conflito.
Talvez seja essa a origem do pedido. Depois de duas passagens sem sujar as mãos, Paula Fernandes como vilã é a chance de fazer o que ninguém ainda ofereceu a ela.
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