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Roberta Miranda cobra apoio de colegas do sertanejo

Roberta Miranda cobra apoio de colegas do sertanejo

Aos 69 anos, a cantora afirma que nenhuma colega a procurou depois que ela revelou ter perdido um filho e diz que não vai mais se posicionar por ninguém

Roberta Miranda afirmou que não pretende mais se posicionar publicamente em defesa de colegas do meio musical. Aos 69 anos, a cantora disse ter se decepcionado com a ausência de manifestações de apoio de outras artistas do sertanejo.

O desabafo tem origem em um relato que ela tornou público sobre a perda de um filho, ainda na juventude, decorrente de uma agressão física. Segundo a cantora, nenhuma colega a procurou depois disso, nem em mensagem privada nem pessoalmente.

Roberta Miranda não citou nomes em nenhum momento. A crítica é dirigida ao comportamento coletivo do meio, e não a artistas específicas.

O que Roberta Miranda disse

No relato, a cantora conta que esperava algum gesto de acolhimento depois de tornar pública a perda e não recebeu nenhum. Descreve a ausência de resposta como a maior decepção da trajetória dela no meio artístico.

A partir dali, afirma, decidiu mudar de postura. Disse que não vai mais “colocar a cara para bater” por ninguém e que passará a se manter em silêncio diante de polêmicas envolvendo outros artistas.

A cantora também classificou a indiferença como algo que doeu mais do que a exposição do próprio trauma, por vir justamente de mulheres com quem mantinha relação de amizade declarada e que ela diz ter defendido publicamente ao longo dos anos.

O relato feito ao Fantástico

Roberta Miranda (Divulgação)
Roberta Miranda (Divulgação)

A perda gestacional citada por ela havia sido relatada anteriormente em entrevista ao Fantástico, da TV Globo. Na ocasião, a cantora contou ter sido vítima de violência sexual na adolescência, quando trabalhava como cantora em uma casa noturna, e disse que a gravidez foi interrompida após uma agressão do mesmo homem.

Ela também relatou ter saído de casa aos 14 anos. Este texto não reproduz os detalhes da agressão descritos por ela na entrevista.

A pioneira que abriu caminho para as mulheres no sertanejo

O peso da declaração vem de quem a faz. Roberta Miranda estreou em disco em 1986 e se tornou a primeira mulher a alcançar projeção nacional sustentada em um gênero então quase inteiramente masculino, com canções como Vá Pra Sua Casa, Majestade o Sabiá e Sonho Por Sonho.

Foi essa trajetória que a transformou em referência para a geração de artistas femininas que ocupou o mercado nas décadas seguintes. Nos últimos anos, ela usou reiteradamente a própria visibilidade para defender publicamente cantoras mais jovens em episódios de crítica e ataque nas redes.

É esse arranjo que ela agora diz encerrar. A declaração toca em uma discussão recorrente do setor: a distância entre o discurso de união entre mulheres no sertanejo e a prática de apoio quando o caso é individual e sem repercussão comercial.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de violência podem ligar para o 180, a Central de Atendimento à Mulher, gratuito e disponível 24 horas em todo o país. O serviço orienta e encaminha para a rede de proteção. Em caso de emergência, o número é o 190.

Denúncias de violência contra crianças e adolescentes devem ser feitas pelo Disque 100.

Procurada, a assessoria de Roberta Miranda não havia se manifestado sobre a repercussão até a publicação desta matéria.

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